Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela; esta te ferirá a cabeça, e tu Lhe ferirás o calcanhar (Gênesis 3:15).
Na profecia relativa ao aniquilamento do poder de Satanás, [Adão e Eva] avistaram uma promessa de libertação da ruína que a transgressão havia operado. Embora devessem sentir o poder de seu adversário, dado que tinham caído sob sua sedutora influência e haviam escolhido desobedecer aos claros mandamentos de Jeová, não precisavam, contudo, entregar-se ao desespero total. — Profetas e reis, pp. 681 e 682.
Estudo adicional: Patriarcas e profetas, pp. 63-70 (capítulo 4: “O plano da redenção”).
Domingo, 31 de março - 1. A VIDA NO ÉDEN
1A) Qual era a condição humana antes da queda? Gênesis 1:27.
Gn 1:27 — E Deus criou o homem à Sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Antes da entrada do pecado, nenhuma nuvem repousava sobre a mente de nossos primeiros pais que pudesse lhes obscurecer a percepção do caráter de Deus. Achavam-se perfeitamente conformados com a vontade do Senhor. Como uma bela cobertura de luz, a glória de Deus os circundava. Essa clara e perfeita luz iluminava qualquer coisa da qual se aproximassem. — Testemunhos para a igreja, vol. 8, p. 255.
2B) Como a natureza revelava Deus ao homem? Gênesis 1:31; Romanos 1:20.
Gn 1:31 — E Deus viu tudo quanto fizera, e era muito bom. E foram-se a tarde e a manhã, o sexto dia.
Rm 1:20 — Pois os Seus atributos invisíveis, Seu eterno poder e divindade, são vistos claramente desde a criação do mundo e percebidos mediante as coisas criadas, de modo que esses homens são indesculpáveis.
No Jardim do Éden, a existência de Deus era demonstrada, e Seus atributos revelados, em todos os objetos da natureza. Tudo aquilo em que seus olhos repousavam tinha algo a dizer. As invisíveis coisas de Deus, “tanto o Seu eterno poder como a Sua divindade” (Romanos 1:20), eram claramente vistas, fazendo-se compreensíveis mediante as coisas criadas. — Idem.
Segunda-feira, 1º de abril - 2. O PECADO TRAZ MUDANÇAS
2A) Que efeito o pecado exerceu sobre o mundo natural? Gênesis 3:17-19. Como isso afetou a compreensão humana sobre o caráter de Deus?
Gn 3:17-19 — E disse para o homem: Porque deste ouvidos à voz da tua mulher e comeste da árvore da qual te ordenei: Não comerás dela; maldita é a Terra por tua causa; com sofrimento comerás dela todos os dias da tua vida. 18 Ela te produzirá espinhos e ervas daninhas; e terás de comer da erva do campo. 19 Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste tirado; porque és pó, e ao pó tornarás.
A transgressão trouxe ruína sobre a Terra, interpondo-se entre a natureza e o Deus da natureza. Se Adão e Eva jamais tivessem desobedecido a seu Criador — caso houvessem se mantido no caminho da perfeita retidão —, poderiam continuar aprendendo de Deus por intermédio de Suas obras. Contudo, ao darem ouvidos ao tentador e pecar contra Deus, a luz das vestes da celestial inocência se apartou deles. Privados da luz celestial, não eram mais capazes de perceber o caráter de Deus nas obras de Suas mãos.
A desobediência do homem também serviu para operar uma alteração na própria natureza. Contaminada pela maldição do pecado, hoje ela é incapaz de apresentar um perfeito testemunho em relação a seu Criador. Não consegue mais revelar a perfeição de Seu caráter. — Testemunhos para a igreja, vol. 8, pp. 255 e 256.
2B) Que mudança ocorreu na natureza humana? Jeremias 17:9; 1 Coríntios 2:14.
Jr 17:9 — O coração é enganoso e incurável, mais que todas as coisas; quem pode conhecê-lo?
1Co 2:14 — O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois lhe são absurdas; e não pode entendê-las, pois se compreendem espiritualmente.
Sua natureza [de Adão e Eva] ficou depravada pelo pecado; sua força para resistir ao mal foi diminuída, e o caminho para Satanás ganhar mais fácil acesso a eles estava aberto. Em sua inocência, cederam à tentação; e agora, em estado de culpa consciente, teriam menos capacidade de se manterem íntegros. — Patriarcas e profetas, p. 61.
Existe, na natureza humana, quando separada da Fonte da verdade, uma contínua oposição aos caminhos e à vontade de Deus. Os aspectos físico, mental e moral do ser estão sob o controle de impulsos precipitados. As afeições se depravam, e toda faculdade confiada ao homem para um sábio emprego é desmoralizada. O homem está morto em ofensas e pecados. A inclinação opera, a paixão mantém o controle, e seus apetites são influenciados por um poder do qual não tem consciência. Ele fala de liberdade e de atitudes livres, mas está na pior escravidão. Não pertence a si mesmo. Não lhe é permitido ver a beleza da verdade, pois a mente carnal é inimiga de Deus e não está sujeita à Lei divina. Ele vê a verdade como mentira, e a mentira como verdade. A mente controlada por Satanás é fraca em poder moral. — The Review and Herald, 17 de fevereiro de 1891.
Terça-feira, 2 de abril - 3. DEUS DÁ O PRIMEIRO PASSO
3A) Que providência divina finalmente garantiu libertação ao culpado casal? Gênesis 3:15.
Gn 3:15 — Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a Descendência dela; Esta te ferirá a cabeça, e tu Lhe ferirás o calcanhar.
Para o homem, o primeiro sinal de redenção foi dado na sentença pronunciada sobre Satanás no jardim. Declarou o Senhor: [cita-se Gênesis 3:15]. Esta sentença, proferida aos ouvidos de nossos primeiros pais, foi para eles uma promessa. Ao mesmo tempo em que profetizava guerra entre o homem e Satanás, declarava que o poder do grande inimigo finalmente seria quebrado. Adão e Eva estavam diante do justo Juiz na qualidade de criminosos, esperando a sentença em que, pela transgressão, tinham incorrido; mas antes que ouvissem sobre a vida de lutas e tristezas que devia ser a sua porção, ou o decreto de que deviam voltar ao pó, escutaram palavras que não poderiam deixar de lhes trazer esperança. Ainda que devessem sofrer pelo poder de seu forte adversário, poderiam aguardar ansiosamente a vitória final. — Patriarcas e profetas, pp. 65 e 66.
O Filho de Deus Se ofereceu para expiar com Seu próprio sangue as transgressões deles. Seria permitido um período de graça a eles, durante o qual, pela fé no poder de Cristo para salvar, poderiam tornar-se novamente filhos de Deus. — Profetas e reis, p. 682.
Nunca a inimizade foi desenvolvida em um grau tão elevado como quando Cristo Se tornou um habitante desta Terra. Nunca antes havia existido um ser em nosso mundo que odiasse o pecado com um ódio tão perfeito como Cristo. Ele havia testemunhado o poder enfeitiçante e enganador do pecado sobre os santos anjos, e todos os Seus poderes foram alinhados contra o mal. — Mensagens escolhidas, vol. 1, p. 254.
3B) Que condição natural ao homem após a queda tornou necessária a promessa de inimizade? Salmos 10:4; Romanos 3:11. Em vez de batalhar contra Satanás, contra quem a mente natural está em guerra? Romanos 8:7.
Sl 10:4 — Por causa do seu orgulho, o ímpio não O busca. Deus não está em nenhum dos seus planos.
Rm 3:11 — Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.
Rm 8:7 — A mentalidade da carne é inimiga de Deus, pois não está sujeita à Lei de Deus, nem pode estar.
Quando o homem transgrediu a Lei divina, sua natureza se tornou má, e ele ficou em harmonia com Satanás, em vez de se tornar inimigo dele. Não existe, por natureza, nenhuma inimizade entre o homem pecador e o originador do pecado. Ambos se tornaram malignos pela apostasia. [...] Se Deus não houvesse interferido de modo especial, Satanás e o homem teriam dado as mãos em aliança contra o Céu; e, ao invés de alimentar inimizade contra Satanás, toda a família humana teria se unido em oposição a Deus. — O grande conflito, p. 505.
Quarta-feira, 3 de abril - 4. A VINDA DE UM LIBERTADOR
4A) Que surpreendente sacrifício Jesus fez para salvar o homem caído? Filipenses 2:5-8.
Fp 2:5-8 — Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, 6 que, existindo em forma de Deus, não considerou o fato de ser igual a Deus algo a que devesse se apegar, 7 mas, pelo contrário, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e fazendo-se semelhante aos homens. 8 Assim, na forma de homem, humilhou a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.
Assim que o pecado passou a existir, também houve um Salvador. Cristo sabia que teria de sofrer; mas, mesmo assim, Se tornou o substituto do homem. Tão logo Adão pecou, o Filho de Deus Se ofereceu como garantia para a raça humana, com tanto poder para evitar a desgraça pronunciada contra os culpados como quando morreu na cruz do Calvário. — The SDA Bible Commentary [E. G. White Comments], vol. 1, p. 1084.
No mesmo instante em que o homem aceitou as tentações de Satanás e fez as mesmas coisas que Deus lhe havia dito para não fazer, Cristo, o Filho de Deus, Se pôs entre os vivos e os mortos, dizendo: “Que a punição recaia sobre Mim. Eu ficarei no lugar do homem para que ele tenha outra chance”. — Ibidem, p. 1085.
4B) Como Deus procurou gravar na mente humana as consequências do pecado e a provisão de um Salvador? Hebreus 9:13 e 14; Romanos 6:23.
Hb 9:13 e 14 — Porque, se quanto à purificação da carne o espalhar do sangue de bodes e touros e das cinzas de uma novilha santifica os que estão impuros, 14 quanto mais o sangue de Cristo, que, imaculado, por meio do Espírito eterno ofereceu a Si mesmo a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes o Deus vivo!
Rm 6:23 — Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Para Adão, a oferta do primeiro sacrifício foi uma cerimônia dolorosíssima. Sua mão deveria erguer-se para tirar a vida, a qual unicamente Deus podia dar. Foi a primeira vez que testemunhou a morte, e sabia que, se tivesse sido obediente a Deus, não teria havido morte de homem ou animal. Ao matar a inocente vítima, tremeu com o pensamento de que seu pecado deveria derramar o sangue do imaculado Cordeiro de Deus. Essa cena deu-lhe uma percepção mais profunda e vívida da grandeza de seu pecado, que coisa alguma a não ser a morte do amado Filho de Deus poderia expiar. E abismou-se com a infinita bondade que daria tal resgate para salvar o culpado. Uma estrela de esperança iluminou o futuro tenebroso e terrível, e o aliviou de sua desolação total. — Patriarcas e profetas, p. 68.
O sistema de sacrifícios deveria ensinar humildade ao homem, em vista de sua condição caída, e levá-lo ao arrependimento e à confiança exclusiva em Deus pelo prometido Redentor, mediante o perdão das passadas transgressões da Lei. — A história da redenção, pp. 145 e 146.
4C) Cite alguns personagens bíblicos que profetizaram a vinda do Salvador. Judas vers. 14 e 15; Gênesis 49:8-10; Números 24:17.
Jd, vers. 14 e 15 — A respeito deles também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: O Senhor veio com Seus milhares de santos, 15 para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as ações de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as palavras duras que ímpios pecadores proferiram contra Ele.
Gn 49:8-10 — Judá, teus irmãos te louvarão; tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos; os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti. 9 Judá é um leãozinho. Subiste vindo da presa, meu filho. Ele se encurva e se deita como um leão e como uma leoa. Quem o despertará? 10 O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de autoridade, de entre seus pés, até que venha Aquele a quem pertence; e os povos obedecerão a Ele.
Nm 24:17 — Eu O vejo, mas não agora. Eu O contemplo, mas não de perto. Virá uma Estrela de Jacó, de Israel se levantará um cetro que ferirá as fronteiras de Moabe e destruirá todos os filhos do orgulho.
Quinta-feira, 4 de abril - 5. UM ATRASO NO CUMPRIMENTO?
5A) Qual poderia ter sido o pensamento de muitos em relação ao prometido Libertador? Ezequiel 12:22.
Ez 12:22 — Filho do homem, que adágio é este que tendes na terra de Israel: Os dias demoram, e falha toda visão?
A vinda do Salvador foi predita no Éden. Quando Adão e Eva ouviram pela primeira vez a promessa, aguardavam-lhe o imediato cumprimento. Receberam alegremente seu primogênito, na esperança de que fosse o Libertador. Mas o cumprimento da promessa demorava. Aqueles que primeiro a receberam, morreram sem a ver. Desde os dias de Enoque, a promessa foi repetida por meio de patriarcas e profetas, mantendo viva a esperança do aparecimento do Messias, mas Ele não vinha. — O Desejado de Todas as Nações, p. 31.
5B) Qual foi a resposta de Deus? Gálatas 4:4. Houve realmente um atraso no cumprimento do propósito divino?
Gl 4:4 — Vindo, porém, a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei.
Mas, como as estrelas no vasto circuito de sua indicada órbita, os desígnios de Deus não conhecem adiantamento nem tardança. [...] “E, [...] naquele mesmo dia” apontado na divina promessa, “todos os agrupamentos do Senhor saíram da terra do Egito” (Êxodo 12:41). Assim, nos conselhos celestiais, fora determinada a hora da vinda de Cristo. Quando o grande relógio do tempo indicou aquela hora, Jesus nasceu em Belém.
“Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho”. A Providência havia dirigido os movimentos das nações e a onda do impulso e influência humanos, até que o mundo se achasse maduro para a vinda do Libertador. —Ibidem, p. 32.
Sexta-feira, 5 de abril - PARA VOCÊ REFLETIR
1. Como o homem era capaz de entender, antes de sua queda, o caráter de Deus?
2. De que modo a natureza humana foi alterada como consequência do pecado?
3. Por que Deus implantou inimizade no homem? Onde estaríamos agora sem ela?
4. Por que o Senhor deu aos nossos primeiros pais o sistema sacrifical?
5. Será que a vinda do Libertador sofreu algum atraso? Por quê?